31 de janeiro de 2018 às 02:00

Exaltado por técnicos, Márcio Araújo tenta encontrar paz na Chapecoense

Reinaldo Rueda olha para o banco de reservas e chama o volante Márcio Araújo. Enquanto o camisa 8 tira o colete, um torcedor se levanta e grita para o treinador colombiano desistir da alteração.

Reinaldo Rueda olha para o banco de reservas e chama o volante Márcio Araújo. Enquanto o camisa 8 tira o colete, um torcedor se levanta e grita para o treinador colombiano desistir da alteração.

A cena, flagrada aos 32 minutos do segundo tempo de um clássico entre Flamengo e Fluminense, nas quartas de final da Copa Sul-Americana de 2017, viralizou na internet e chegou até Márcio Araújo por meio de amigos –ele não tem conta em redes sociais.

"Só posso dizer que minha carreira continua a mesma. O cara que fez aquilo não deve ter noção das coisas. Ele está no direito do torcedor de opinar e de colocar o que acha que é certo, mas estou vivendo minha vida. Não posso viver essa vida de torcedor", diz o jogador à Folha.

O volante seguiu em frente. Márcio Rodrigues Araújo, 33, chegou neste ano à Chapecoense como principal reforço para a disputa da Copa Libertadores. A equipe estreia nesta quarta-feira (31), às 21h45, contra o Nacional (URU), em casa.

No domingo (28), o volante estreou pelo novo clube. Jogou até os 30 minutos do segundo tempo na vitória por 1 a 0 sobre o Joinville e ganhou aplausos da torcida. Após o duelo, o técnico Gilson Kleina disse que o jogador é "acima da média".

DESCONFIANÇA

O caso de Márcio Araújo é curioso. Ele sempre foi requisitado por treinadores, mas irritava os torcedores de Palmeiras e Flamengo, times em que jogou mais de 200 vezes.

A desconfiança vem desde as peladas em São Luís (MA). Ele conta que o irmão se destacava nos jogos e era visto pela família como o primeiro da fila. Não seguiu carreira por ver o futebol como lazer.

Márcio Araújo levou o sonho adiante e se profissionalizou. Em 2010, no Palmeiras, foi chamado por Felipão para uma conversa. O treinador queria que o atleta deixasse a zona intermediária do campo para atuar mais recuado, como um primeiro volante.

"Ele tem personalidade. Nele podemos acreditar todos os dias. É útil e sempre se entregou nos treinos e nos jogos", afirmou o treinador.

Para Márcio Araújo, a mudança de posição impactou sua carreira. Ele conta que já era disciplinado taticamente antes de trabalhar com Felipão, mas passou a se dedicar mais ao jogo coletivo desde então. Hoje, cita o brasileiro Fernandinho e o espanhol Busquets como inspirações.

Também admira o estilo de jogo que Pep Guardiola implementou nos times que dirigiu. Tanto que coloca o livro escrito por Martí Perarnau sobre a passagem do técnico pelo Bayern de Munique entre os melhores que já leu.

Segundo dados do Footstats, Márcio Araújo foi o segundo jogador com mais passes certos (1.142) no Flamengo no Brasileiro de 2017. Também foi o terceiro com mais desarmes (48) na equipe.

Diante dos números, o técnico Gilson Kleina diz que o atleta recebe tantas críticas por não fazer lobby: "Ele não joga para agradar a torcida".

O volante concorda. "Sou muito tímido em relação à mídia e ao marketing. Não sou de dar carrinho nem bato no peito para chamar o torcedor. São coisas que eles gostam e dão mais atenção. Amigos até já me pediram para vibrar em campo. Talvez isso agrade mais do que só jogar futebol, que é o que interessa", diz.

Na Chape, ele pedirá a Kleina para ter mais liberdade para ir ao ataque. Quer mostrar aos catarinenses o que palmeirenses e flamenguistas não viram em seu futebol.

NA TV
Chapecoense x Nacional
21h45, Globo (para SC) e Fox Sports 2

Fonte: FOLHA

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