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16 de dezembro de 2017 às 02:00

Restaurante Mangue tem atraente sotaque brasileiro, mas falha nas execuções

Da calçada, o Mangue não é lá um animador convite a entrar, digamos. Tem uma fachada preta, mesclada com pedras, pesadona. Quando se atravessa a porta, porém, uma trilha sonora de acento pernambucano acolhe com alegria ?estão a cantar Junio Barreto, Banda

LUIZA FECAROTTA
CRÍTICA DA FOLHA

Da calçada, o Mangue não é lá um animador convite a entrar, digamos. Tem uma fachada preta, mesclada com pedras, pesadona. Quando se atravessa a porta, porém, uma trilha sonora de acento pernambucano acolhe com alegria –estão a cantar Junio Barreto, Banda Eddie, Siba, uma beleza.

Só de passar o olho no cardápio, nota-se uma ginga, um familiar e atraente sotaque brasileiro, uma interessante referência ao mangue, a presença de elementos como siri, cabrito, carne de sol, pupunha, tapioca.

O serviço se desenrola gentil, mas atrapalhado, ainda que a casa esteja vazia: pratos principais chegam à mesa antes da entrada. À parte os problemas de sequência, há questões recorrentes de equilíbrio, harmonia e preparo.

O dadinho do mangue (R$ 24) parece ficar tempo excessivo na fritura. Resulta seco e demasiadamente firme (e aquela gostosa textura da tapioca?) e sobra um gosto rançoso, apesar dessa versão receber um potente bisque de camarão para hidratar o amido. Sobre ele, pernil desfiado ao qual falta umidade.

É uma boa ideia o ceviche de banana-da-terra (R$ 19), mas, de novo, surge desequilibrado. A fruta, cortada em cubos de boa consistência, é embalada em um suco de limão (cravo e taiti) com tangerina e mel. Este último, de abelha nativa, dá uma doçura exagerada se somada à da própria banana e à do suco de tangerina. Provoca a língua, porém, picância da pimenta.

Falta viço às massas. O garganelli ao limão-siciliano com tilápia assada no vapor (R$ 29) é monocromático, apagado e insosso. Tem mais gosto o ravióli de queijo de cabra (R$ 49). O ragu de cabrito que o acompanha, no entanto, também se exibe seco e pouco potente. No mais, é muita massa para pouca carne. Idem para a carne de sol desfiada com arroz de leite (úmido, cremoso, mas insípido) e abóbora assada (esta, um acerto: doce e macia) –sobra grão para pouca carne (R$ 38).

Nada se salvou no polvo marinado com anéis de lula (R$ 29). A começar pela textura de ambos: rígidos e borrachudos. O vinagrete de feijão-fradinho é massacrado pelo excesso de sal e a fava parece passar por uma cocção exagerada que lhe deixa molenga.

Bem, se a execução melhorar, pode vir a ser uma boa pedida –a ideia é comum, mas boa (apesar de o arroz branco surgir deslocado) e é um prato com potencial para os dias de verão.

*

MANGUE
Onde: R. Flávio de Melo, 18, Vila Mariana, tel. 3562-4558
Quando: Qua. a sex., 12h às 15h e 18h às 23h; sáb., 12h às 23h; dom., 12h às 17h
Avaliação: ruim

Fonte: FOLHA

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