29 de abril de 2018 às 02:00

O teste de qualidade

Club sandwich do Ritz Tadeu Brunelli/Divulgação Club sandwich do Ritz   

Tenho manias, todo mundo tem, mas as minhas eu conto por escrito, o que é sério, pois ficam registradas. Por um tempo fiquei provando só uma sobremesa francesa quase esquecida, chamada Paris-Brest. Fui até mesmo à confeitaria que criou o doce, para comemorar a corrida de bicicletas entre as duas cidades, Paris até Brest. Uma receita que tem data de nascimento em 1910. Depois de provar duas dezenas delas, a mania passou.

Já tive fase de negroni, de milanesa, ainda estou na de guacamole. A de “club sandwich” nunca me abandonou. O sanduíche foi criado num clube americano, na região de Nova York, no final do século 19. Há uns três clubes disputando a invenção. Não são clubes de prática de esportes, mas naquele estilo inglês, mansões onde as pessoas se reúnem para fumar, conversar, tomar um uísque.

Li uma vez, muito tempo atrás, um viajante profissional chamado Tyler Brûle, que edita a revista esnobe Monocle, dizer que logo que fazia check-in em hotéis pedia este classicão dos sandubas. E avaliava assim o serviço e a comida do lugar.

Adotei, não como avaliador, mas como comida de garantia -- todo lugar do mundo tem fast food, de que fujo, e um lugar com o tal sanduíche do clube. Chego cansado nos hotéis e peço um no quarto, quase não tem erro.

E ainda vou listando por diversão, tenho bons comidos na Cidade do Cabo, no Copacabana Palace, em alguns hotéis estrelados e em hotéis simples. Impressiona como a receita varia, o sul-africano tinha toda a pimenta do reino do país, eu pedia (comi durante cinco dias) com menos, eles respondiam da cozinha que sim e vinha igual. Por sorte eu gosto muito de pimenta do reino.

Fiz em casa, copiando uma receita de nada menos que Alain Ducasse, pão tostado, um andar de peitos de frango grelhados, alface temperada, mais uma fatia de pão, outro andar com ovos cozidos e tiras de bacon bem fritas e finas. Deu certo, ficou bonito na postagem nas redes sociais e comi.

Ainda continuo a busca. Foi a vez do Ritz, porque não erro, tem um hambúrguer excelente antes de hambúrguer entrar na moda, tem os famosos bolinhos de arroz e um “club sandwich” que ficou bem classificado nos quesitos ingredientes clássicos: receita ortodoxa, aparência, sabor e mordibiliadade (tem que caber na mordida, estas torres de coisas empilhadas que quase deslocam a mandíbula não são corretas, é preciso ser ergonômico).

Recomendo o do Ritz para conhecer o mundo fascinante do meu sanduíche favorito. Mas a pesquisa não acabou e vou continuar comendo esta invenção maravilhosa.

E o que beber com ele? Estou ficando repetitivo mas o que mais bebo são tintos frescos, sem madeira, que ficam ótimos gelados. Ou brancos com acidez elétrica, que fazem o efeito de uma limonada, aquele susto gostoso nas glândulas salivares.

Club sandwich é amigo dos vinhos do Loire. Preciso ver se lá fazem um bom sanduíche, seria a perfeição.

Fonte: FOLHA

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