31 de janeiro de 2018 às 02:00

Mostra expõe fotógrafo alemão que retratou modernização de São Paulo

A partir de um repertório de 15 mil negativos, o curador Rubens Fernandes selecionou 61 imagens do fotógrafo Theodor Preising (1883-1962) que mostram o período de urbanização e modernização de São Paulo, entre 1920 e 1940.

A partir de um repertório de 15 mil negativos, o curador Rubens Fernandes selecionou 61 imagens do fotógrafo Theodor Preising (1883-1962) que mostram o período de urbanização e modernização de São Paulo, entre 1920 e 1940.

Os trabalhos do alemão estão reunidos na exposição "São Paulo: Sinfonia de uma Metrópole", na Fiesp, dividida em quatro assuntos, como celebrações, a cidade, colheita de café e a chegada de imigrantes japoneses e europeus ao estado.

"Durante esse período, a cidade estava pulsante e moderna. Todo esse fervor aconteceu em decorrência da exportação do café, trabalho feito pelos imigrantes da época", diz o curador, explicando a escolha das imagens presentes na mostra.

Imigrante alemão, Preising deixou a sua terra natal após a Primeira Guerra Mundial, quando a Alemanha enfrentava uma forte crise econômica por ter perdido o conflito e ter tido que arcar com dívidas com a Inglaterra e a França.

Ao chegar no Brasil, o alemão teve, como define o curador, uma "visão empreendedora".

Formado em fotografia, ele tinha experiência como repórter no front de guerra, mas no Brasil ele mudou o foco de trabalho e começou a comercializar cartões-postais com fotos que fazia de São Paulo.

"Isso deu um gás para que Preising começasse a ser reconhecido no Brasil", explica Fernandes.

A partir desse sucesso, o alemão passou a colaborar para publicações como na "Revista S. Paulo" e "National Geographic", além de ter trabalhado, durante o governo de Getúlio Vargas, no Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP).

Além de garantir seu sustento, o sucesso dos postais possibilitou que Preising trouxesse a família para o Brasil.

ANONIMATO

Segundo o curador, esta é a primeira mostra individual do fotógrafo em São Paulo.

Fernandes contou que, durante o processo de montagem da exposição, lhe perguntaram como tinha "descoberto" o trabalho do fotógrafo.

"Eu não descobri ele", explica o curador. "Eu acompanho o trabalho dele há mais de 30 anos, e ele está na coleção Pirelli/Masp, mas ainda não é reconhecido."

"Eu costumo dizer que a história da fotografia brasileira é um 'iceberg', já que conhecemos apenas a ponta dele, sendo que temos muitos fotógrafos que ainda não emergiram", diz Fernandes. "Estamos escavando essa memória para trazê-la à superfície."

O curador lamenta que, apesar de alemão ter sido um dos primeiros fotógrafos a imigrar o Brasil, "ele não tenha nem um livro de sua autoria".

Por isso, Fernandes acredita que a exposição, além de ser uma homenagem para São Paulo, que completou 464 anos na semana passada, também tem o objetivo de garantir que Preising não desapareça da história da
fotografia.

*

SÃO PAULO: SINFONIA DE UMA METRÓPOLE
QUANDO até 25/3; ter. a sáb. das 10h às 22h
ONDE Fiesp, av. Paulista 1.313, te. (11) 3146-7439
QUANTO grátis

Fonte: FOLHA

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