12 de janeiro de 2018 às 02:00

Escritor de ficção, Philip K. Dick ganha antologia de dez episódios na Amazon

Quando cineastas e criadores de séries de TV querem levar os espectadores a um futuro paranoico mas essencialmente crível, retornam várias vezes à mesma fonte: o escritor de ficção Philip K. Dick.

Quando cineastas e criadores de séries de TV querem levar os espectadores a um futuro paranoico mas essencialmente crível, retornam várias vezes à mesma fonte: o escritor de ficção Philip K. Dick.

De "Blade Runner - O Caçador de Androides" (1982), inspirada pelo romance "Do Androids Dream of Electric Sheep?", de 1968, a "O Homem do Castelo Alto", da Amazon, baseado em romance de 1962, as adaptações revelam que as histórias de Dick servem com perfeição a preocupações muito modernas: privacidade, controle por grandes empresas, livre arbítrio e o que significa ser humano.

Agora, a Amazon, em parceria com o Channel 4, do Reino Unido, e com a Sony Pictures Television, talvez tenha encontrado a forma mais natural de adaptar o catálogo do escritor: "Philip K. Dick's Electric Dreams", uma antologia de dez episódios que representa a primeira adaptação dos contos do escritor para a TV.

Todos os episódios estarão disponíveis a partir desta sexta, 12, para os assinantes do serviço Amazon Prime.

O momento não poderia ser mais propício. Não só a série lida com questões cada vez mais relevantes em nossa era tecnologicamente aumentada como é perfeita para o formato que ajudou a televisão a ingressar em uma nova era de ouro.

Nos sete anos transcorridos desde que Ryan Murphy e Brad Falchuk criaram "American Horror Story", com personagens e histórias diferentes a cada temporada, os programas em formato de antologia passaram a oferecer algumas das formas narrativas mais ambiciosas e criativas da televisão. Com "Electric Dreams", o formato evolui, com uma nova história e uma nova equipe de criadores a cada episódio.

A abordagem não é parecida com a de "American Horror Story" ou "Fargo", cujas histórias se desenrolam ao longo da temporada.

Em contraste, as equipes de criação de "Electric Dreams" têm carta branca do produtor Michael Dinner para mudar abruptamente de direção, de episódio a episódio, saltando da sátira ao realismo e passando por momentos estranhos e profundamente psicodélicos.

"Todo mundo está tentando criar algo de original, não estamos mais presos a um só formato", disse um dos produtores executivos da série, Ronald Moore, criador da versão repaginada de "Battlestar Galactica", em 2004.

Se devemos ver "Electric Dreams" como desafio direto a um rival específico, porém, o alvo é "Black Mirror", série da Netflix sobre os efeitos perturbadores da tecnologia descontrolada, que está em sua quarta temporada.

As duas séries devem muito a programas anteriores em formato de antologia, especialmente séries dos anos 60 como "Playhouse 90", "Alfred Hitchcock Presents" e, sobretudo, "Além da Imaginação".

Com o formato, grandes astros se dispõem mais a assinar quando o projeto dura só uma temporada, ou, no caso de "Electric Dreams", um episódio. "Eles diziam coisas como 'nossa, posso trabalhar por cinco dias e concluir o projeto?' É uma perspectiva atraente", disse Moore.

Os atores que a série atraiu incluem Bryan Cranston, de "Breaking Bad" (um dos produtores executivos), Steve Buscemi, Maura Tierney e a cantora de R&B Janelle Monáe.

A filha de Dick, Isa Dick Hackett, cuja produtora Electric Shepherd supervisiona as adaptações, procurou Dinner em 2012. "Foi Michael que teve a ideia de produzir os contos como antologia", disse Moore, amigo de Dinner convidado para o projeto.

Os episódios incluem "The Commuter", sobre uma misteriosa cidade britânica que não parece em mapa algum; e "Human Is", que debate se é melhor ser casada com um cara escroto ou com um sujeito muito atencioso que na verdade teve seu corpo ocupado por um alienígena.

Mas a liberdade criativa da série tem seu custo. Pressões de agenda tornaram necessárias duas centrais de produção completas, em Londres e Chicago. Cada episódio necessitava de cenários, figurinos e elencos novos. "É muito trabalhoso", disse Moore. "Nenhum de nós sabia o quanto o projeto seria mais caro e demorado que uma série típica".

E o que Dick teria achado de uma série baseada em sua obra e veiculada em um sistema chamado streaming, que permite que os episódios sejam assistidos a qualquer hora? "Os sentimentos dele sobre as adaptações de seu trabalho eram ambivalentes", afirma a filha. "Mas acho que teria amado o fato de que todo mundo que participou desse projeto o fez por amar seu trabalho."

Tradução de PAULO MIGLIACCI

Fonte: FOLHA

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