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28 de janeiro de 2018 às 02:00

Demanda crescente por indústria 4.0 inspira criação de novos cursos de pós

A demanda por profissionais que entendam as novidades da indústria 4.0, que inclui a integração de automação e dados para melhorar a produtividade e identificar riscos nas fábricas, levou à criação de cursos de especialização para capacitar gestores na ár

A demanda por profissionais que entendam as novidades da indústria 4.0, que inclui a integração de automação e dados para melhorar a produtividade e identificar riscos nas fábricas, levou à criação de cursos de especialização para capacitar gestores na área.

Entre as instituições que oferecem pós nessas áreas estão a USP (Universidade de São Paulo), que tem um programa em internet das coisas desde 2015, e a UFPR (Universidade Federal do Paraná), com um curso de Engenharia Industrial 4.0 criado em 2017.

Algumas das ferramentas que compõem essa nova revolução industrial, e que são apresentadas nos cursos, são robótica, gestão de grandes lotes de dados (big data), inteligência artificial e internet das coisas (IoT).

O engenheiro mecânico Fernando Rocha, 54, que terminou em 2016 a pós-graduação na USP, usa os conceitos que aprendeu no atual emprego. "Eu me forcei a uma reciclagem, por ser uma tecnologia que está começando no Brasil", diz. "Trabalho com inovação em uma empresa que busca tecnologias para prédios inteligentes."

Para o coordenador do curso de Internet das Coisas da USP, Kechi Hirama, é uma possibilidade de juntar o conhecimento acadêmico com as demandas do mercado.

"A ideia é melhorar a eficiência do trabalho, mas fazê-lo de forma que permita até criar produtos personalizados na linha de montagem."

A eficiência é um dos grandes desafios do setor no Brasil, segundo Rafael Lucchesi, diretor de educação e tecnologia da CNI (Confederação Nacional da Indústria).

"A baixa produtividade se dá por atrasos tecnológicos, técnicos e pela alta idade média dos equipamentos", diz.

O problema persiste mesmo na comparação com outros países emergentes, como Turquia, Argentina e Chile, segundo o economista do Banco Mundial Mark Dutz.

"Implementar a indústria 4.0 no Brasil envolve desde o custo e os investimentos até a qualidade média da gestão, que ainda é baixa. É vital observar ações em países como EUA, Alemanha e China."

Por isso, será preciso capacitação em todos os níveis: dos técnicos aos gestores.

"As mudanças chegarão em todos os estratos do setor. No chão de fábrica, afetarão o processo produtivo. Para os gestores, será preciso analisar vastas quantidades de dados", diz Lucchesi, da CNI.

Isso demandará excelente organização e negociação, já que o gestor terá de lidar com equipes heterogêneas.

"Com a cadeia integrada, a relação dos profissionais precisará ser mediada", diz Gabriel Almeida, gerente da consultoria de RH Talenses.

A administradora Janine Ferro, 41, que cursa a pós da UFPR, usa o que aprendeu na integração das áreas de logística e manufatura de uma empresa de eletrodomésticos.

"Também estudo por conta própria para entender melhor essas novidades e como usá-las no meu trabalho."

Fonte: FOLHA

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