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13 de junho de 2018 às 16:20

Antártida derrete quase 3 vezes mais rapidamente do que em 2012, diz estudo

A Antártida perdeu impressionantes 3 trilhões de toneladas de gelo desde 1992, fazendo o nível dos oceanos aumentar em nível global quase 8 milímetros. E pior: esta tendência se acelerou ao longo dos últimos cinco anos, segundo um estudo divulgado nesta q

A Antártida perdeu impressionantes 3 trilhões de toneladas de gelo desde 1992, fazendo o nível dos oceanos aumentar em nível global quase 8 milímetros. E pior: esta tendência se acelerou ao longo dos últimos cinco anos, segundo um estudo divulgado nesta quarta-feira (13) na revista científica Nature.

Até 2012, o continente branco situado no polo Sul havia perdido 76 bilhões de toneladas de gelo ao ano, segundo os cálculos de 84 cientistas que participaram da pesquisa.

De 2012 a 2017, a cifra saltou para 219 bilhões de toneladas ao ano. Ou seja, após cinco anos o gelo derreteu em um ritmo quase três vezes maior do que antes, o que representa uma ameaça para centenas de milhões de pessoas que vivem em áreas costeiras.

No período total do estudo, de 1992 a 2017, a perda anual de gelo no oeste da península foi de 53 milhões para 159 bilhões de toneladas. Na península toda, a taxa foi de 7 bilhões a 33 bilhões de toneladas por anuais. 

"Agora temos uma imagem inequívoca do que está acontecendo na Antártida", ressalta Eric Rignot, coautor do estudo e pesquisador do Jet Propulsion Laboratory da Nasa. "Consideramos esses resultados como mais um alarme para agir, para desacelerar o aquecimento global", diz o cientista francês, que estuda os glaciares e polos há 20 anos.

Com cobertura de mais de 98% de gelo permanente, o continente cercado pelo oceano Antártico responde por 90% do gelo terrestre e contém a maior reserva de água doce do planeta. Se toda essa massa de gelo derretesse, elevaria o nível do oceano em quase 60 metros.

Os cientistas tentavam determinar se a Antártida ganhou massa através da queda de neve ou se a perdeu devido ao derretimento do gelo ou à separação de icebergs. Mais de duas décadas de observações por satélite fornecem uma visão mais completa.

Mais de 90% do gelo está no leste da Antártida, que se manteve relativamente estável apesar do aquecimento global. O oeste da Antártida, por outro lado, é muito mais sensível, especialmente a península antártica, onde mais de 6.500 quilômetros quadrados de gelo já se desprenderam do resto do continente.

Segundo o estudo, nos últimos 25 anos quase toda a massa de gelo perdida foi perdida na zona oeste.

"Embora ainda haja uma incerteza considerável sobre a evolução da massa do leste da Antártida, está ficando cada vez mais claro que a perda de gelo no oeste se acelerou", observa Kate Hendry, uma cientista da Universidade de Bristol, que não participou do estudo.

Se a tendência continuar, a perda de gelo na Antártida pode se tornar a principal causa do aumento do nível do mar, à frente da dilatação térmica â?”a água ocupa mais espaço à medida que se aqueceâ?” e do derretimento do gelo na Groenlândia e em geleiras ao redor do mundo.

"Os dados mostram que a situação está piorando a cada ano", diz Isabella Velicogna, professora da Universidade da Califórnia em Irvine e coautora do estudo.

"A força desta pesquisa é ter reunido resultados e metodologias de diferentes equipes ao redor do mundo", aponta Twila Moon, cientista do National Snow and Ice Data Center (NSIDC), no Colorado.

Cabe agora às autoridades políticas agir em resposta.

"O futuro da Antártida está ligado ao do resto do planeta e da sociedade humana. Agora, é preciso tomar medidas para desacelerar o ritmo das mudanças ambientais, aumentar a resiliência da Antártida e reduzir o risco de mudanças irreversíveis ", afirma o oceanógrafo australiano Steve Rintoul, autor de outro estudo sobre a Antártida publicado nesta quarta-feira na Nature.

Fonte: FOLHA

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